Número total de visualizações de páginas

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Nos caminhos do rio Águeda

Conhecer os nossos rios não dizê-los de cor - O Minho, o Lima, o Cávado ou a passear o indicador hesitante no mapa - O Tua, o Tua, deve ser por aqui. Conhecê-los mesmo - Cá está ele, não no mapa o indicador, na direcção da água, descer até eles, romper solas e músculos, vê-los, nos pegos a água escura e preguiçosa, límpida e esperta nos seixos, as árvores e o vento na conversa, senti-los, trazê-los para dentro de nós - Irmão rio, como o doce santo de Assis.


domingo, 6 de dezembro de 2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A preto e branco (6)


Servem os bancos para a gente neles se sentar e dar às pernas o descanso reclamado, mormente quando os anos de todo o corpo lhes pesam em cima, não é por acaso que são os velhos os seus mais frequentes usuários, ainda que uma outra razão haja também para isso, e que é o facto de, sendo-lhes o tempo já escasso, lhes sobejar tempo, contradição apenas aparente, como é fácil de ver.
Porém, sendo aprazível o sítio, e de feição o momento e a companhia, podem os bancos, além do descanso, dar azo a que se solte a língua, ou o pensamento, ou ambas as coisas, não se julgue que não se pode dar à língua sem pensar, não faltam por aí exemplos que o comprovam.
Aqui, estando os bancos num jardim privado, ao abrigo da devassa de olhares curiosos ou indiscretos, ou até malevolamente bisbilhoteiros, convidam a que se embrenhe o pensamento por caminhos mais romanescos, não faltará quem já ali veja um par de enamorados, bem chegados um ao outro apesar da largueza do banco e da amenidade do tempo, bem sabemos que não são razões de espaço ou de temperatura que isto fazem, todos temos um pouco dessa experiência, faz parte da vida, mesmo da dos puritanos mais assanhados.
Mas enfim, vá cada um aonde o levar a imaginação, são muitos e variados os seus caminhos, não temos que dar sugestões a ninguém, imaginação é coisa que não falta, use-a pois cada um a seu bel-prazer.

domingo, 19 de julho de 2009

A preto e branco (5)



Vista Alegre
Fotos: Carlos Pádua (1999)

De duas maneiras se pode estar diante de uma janela: de fora, olhando-a, ou de dentro, olhando por ela para fora. Agora estamos nós daqui de fora a olhar esta janela, com vagar e sossego, como convém àqueles que, olhando, querem ver e apreciar, e por este modo vamos percorrendo, neste instante em que o tempo parou, os seus contornos em parte apagados pela folhagem que a envolve, os jogos de luz e de sombra, o labirinto de ramos ali à beira. E assim fica um pouco de nós neste recanto, como em nós fica a sua discreta e singela maravilha, a sua paz. Diferente é o estar de quem está de dentro. Vem à janela e, pelas vidraças, ou abrindo-a, é para além dela que estende o seu olhar, para ver o tranquilo espelho da ria, ou o arvoredo e o casario defronte, ou alguém que passa na rua, ou simplesmente para espreitar como está o tempo. E não faltam ainda as ocasiões em que os olhos, parecendo estar a olhar para fora, estão apenas a ver o que nos vai por dentro.