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quarta-feira, 27 de maio de 2009

43º álbum - Castelo de Numão















A pequena vila de Numão está hoje lá em baixo, no sopé do monte, em sítio mais abrigado e doce. A progressiva acalmia dos costumes levou as gentes a abandonar os cumes agrestes e a fixar-se onde a natureza oferecia melhores condições de vida. Ao cimo do monte chega-se por uma pequena estrada onde quase ninguém passa e depois por um caminho pedregoso até uma das portas da muralha. Do que foi o castelo e a vila antiga, no seu interior, ficaram as ruínas, expostas ao tempo que tudo gasta e à solidão. Ouve-se ali o vento tanto como o silêncio, e vê-se o céu e os montes, uma represa no fundo de um vale, alguma vinha, e um sossego desamparado pairando sobre todas as coisas. E no entanto sabe-me bem estar aqui, talvez pelo sossego, talvez pelo vento, talvez por estes sarcófagos que me lembram como somos efémeros, talvez por estas amendoeiras que resistem no meio do pedregal, por estas colunas solitárias que se separaram do resto da capela, talvez pelas torres sombrias do castelo, pelos escombros das casas de pedra solta, talvez até pelo abandono e desprendimento de tudo.

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